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​There are two views on the same theme. The OECD study results from the analysis of data collected between 2012 and 2016 in the Survey of the International Program for the Assessment of Adult Skills (PIAAC) and reveals patterns and trends in adult educational and training participation. The UNESCO document, produced on the basis of expert work, presents a forward-looking vision and requires a major shift towards a culture of lifelong learning, by 2050.

12-11-2020

O primeiro explora a distribuição das pessoas adultas pelas diferentes modalidades de educação e formação, características e resultados dessas modalidades e sua relação com políticas económicas e sociais, perfil sociodemográfico, sociológico, trajetórias sociais e profissionais dos participantes. Os dadoanalisados permitem inferir a importância da Aprendizagem ao Longo da Vida para alavancar a evolução das sociedades.


Da análise dos dados recolhidos nos países participantes, que inclui países da Europa, América do Norte, América do Sul e Austrália, o estudo da OCDE infere que os sistemas de aprendizagem de adultos têm vindo a crescer a um ritmo bastante rápido nas economias mais avançadas. Mas o que distingue um sistema de aprendizagem de adultos avançado é o nível de integração entre os principais tipos de Educação de Adultos (EA), formal, não formal e informal através, por exemplo, de um sistema de qualificações. Para caminhar nesse sentido, o estudo refere que é indispensável criar um entendimento partilhado entre os vários âmbitos de EA e formular políticas que ajustem continuamente os sistemas de aprendizagem de adultos às necessidades de um mercado e economia dinâmicos, para a promoção de oportunidades que possam ser aproveitadas pelos cidadãos.  A OCDE revela, ainda, que o tempo e o dinheiro são as barreiras mais comuns com que os adultos se deparam quando pretendem ingressar em sistemas de aprendizagem. As principais motivações para a realização da AE estão relacionadas com o trabalho: encontrar um emprego melhor ou diferente, evoluir na carreira ou ser promovido.

Segundo o estudo do PIAAC, a capacidade das nações se ajustarem e lidarem com a mudança, melhorar os padrões de vida e capitalizar na transformação tecnológica, depende em grande parte da eficácia dos sistemas de aprendizagem de adultos para o desenvolvimento e manutenção das competências ao longo da vida. De acordo com o estudo, é importante ver o sistema de aprendizagem de adultos não apenas como um meio para aumentar a produtividade mas também para melhorar a qualidade de vida e  para promover uma cidadania ativa. Não conseguir desenvolver um sistema de aprendizagem de adultos eficaz implica a exacerbação das desigualdades  provocadas por fatores socioeconómicos e a marginalização de grandes segmentos da população.

O documento da UNESCO é um exercício de doze especialistas, cinco mulheres e sete homens dos 5 continentes, que produziram uma série de ideias e recomendações inovadoras. Apontam caminhos de futuro e refletem sobre a contribuição da aprendizagem ao longo da vida na criação de um futuro mais sustentável, saudável e inclusivo, bem como sobre os valores e princípios em que deve assentar. Exortam a comunidade internacional a olhar a educação como um valor acrescido, individual e coletivo e a reconhecer a aprendizagem ao longo da vida como um novo direito humano, defendendo que a criação de uma cultura global de aprendizagem ao longo da vida será a chave para enfrentar os desafios da humanidade, desde a crise climática às mudanças tecnológicas e demográficas, bem como as decorrentes da pandemia da COVID-19.

Tornar a aprendizagem ao longo da vida uma realidade requer mais do que políticas inovadoras, mais financiamento ou melhor tecnologia. Exige uma mudança radical, uma transformação cultural envolvendo todas as partes interessadas, incluindo governos, indivíduos, empregadores e comunidades.

Na maioria dos países, a aprendizagem ao longo da vida tem sido entendida como um sistema paralelo, ou auxiliar, ao invés de um conceito central de educação e de políticas sociais, o que resultou em reformas fragmentadas, desligando a aprendizagem ao longo da vida dos sistemas e políticas educacionais. Segundo o relatório, será necessária uma mudança cultural para o reconhecimento do valor da aprendizagem ao longo da vida como um bem público, um direito humano e um instrumento fundamental para servir objetivos importantes que incluem emprego, mercado de trabalho, saúde e bem-estar, meio ambiente, sustentabilidade, cidadania ativa e social, inclusão e coesão.

Por fim, adotar o conceito de aprendizagem na sua totalidade exige que as sociedades repensem a aprendizagem e a educação como algo verdadeiramente contínuo ao longo de toda a vida . Com caminhos de aprendizagem diversos, espaços e modalidades amplamente disponíveis, todos, desde crianças a idosos, podem beneficiar destas experiências em qualquer momento e em qualquer lugar.

O relatório refere, ainda, o quão importante é não esquecer que a aprendizagem ao longo da vida é um processo educacional mas também social, e enfatiza a importância da aprendizagem presencial por métodos tradicionais e intergeracionais.

Ambos os estudos concluem que a aprendizagem ao longo da vida não pode ser subvalorizada, tem que ser encarada não só como uma absoluta necessidade mas também como um direito dos cidadãos, acessível por todos, de todas as idades. É um mecanismo imprescindível para que a força de trabalho se adapte às transformações em curso e para que haja crescimento social e económico, bem-estar, inclusão e coesão. 


Aceda aqui ao relatório da OCDE "PIAAC Thematic Review on Adult Learning"

Aceda aqui ao relatório da UNESCO "Embracing a culture of lifelong learning"

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