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​This new edition provides important information about educational institutions, the impact of learning in different countries, access, participation and progression in education, financial resources invested, organization of schools, among others. We highlight education and vocational training (VET), which in this edition of 2020 is particularly relevant.

29-12-2020

​O ensino profissional foi especialmente afetado pela crise despoletada pela COVID-19. O distanciamento social e o encerramento de empresas têm dificultado em muito a aprendizagem prática em contexto de trabalho. Esta modalidade de ensino desempenha um papel central para garantir a coordenação entre a formação e o trabalho, a transição bem-sucedida para o mercado de trabalho e a recuperação económica em geral. Para além disso, muitas das profissões que formaram a espinha dorsal da vida económica e social durante os períodos de confinamento dependem das qualificações profissionais o que, segundo o estudo, torna o problema ainda mais grave.

A EFP, que é frequentemente negligenciada a favor de percursos académicos de maior prestígio e tem sido até desconsiderada em debates sobre políticas educacionais, revela mais uma vez, agora perante a crise, o seu importante papel na promoção de competências técnicas, indispensáveis no mercado de trabalho. No entanto, a sua popularidade entre os jovens ainda não é suficiente.  A média atual dos países da OCDE aponta para jovens adultos com menos probabilidade de seguir a via profissionalizante e maior probabilidade de adquirir um diploma universitário do que os seus pais. Isto pode refletir, em parte, as perspetivas da empregabilidade de longo prazo, pois embora os jovens adultos com ensino médio profissionalizante tenham maior probabilidade de estar empregados do que aqueles com ensino médio geral, a sua taxa de emprego permanece mais ou menos estável com a idade, enquanto que a dos adultos com ensino médio geral aumenta.

Atualmente, nos países da OCDE, aproximadamente 1 em cada 3 alunos, entre o ensino básico e o ensino superior, está matriculado num programa de educação e formação profissional, sendo que, no ensino secundário ingressam 67%, no ensino superior 17%, no pós-secundário não superior 10% e no ensino básico (6%).

Os estudantes mais velhos têm maior probabilidade de ingressar em programas de ensino profissional de nível secundário do que os estudantes em geral: 61% têm mais de 25 anos; 37% têm entre 15 e 19 anos. As principais áreas de formação escolhidas são: engenharia, manufatura e construção (33%), gestão, administração e direito (18%), serviços (17%), saúde e bem-estar (13%), comunicação e tecnologias de informação (4%), outras áreas não especificadas (15%).

O estudo revela ainda que os cursos de formação profissional custam cerca de mais 1 500 USD por estudante e que estes têm maior probabilidade de completar os programas de formação nas situações em que o prosseguimento de estudos é uma possibilidade

Relativamente ao sucesso escolar, a proporção de adultos que concluiu com sucesso o ensino profissionalizante de nível secundário diminuiu na geração mais jovem, 25-34 anos, situando-se nos 21%, contra 26% no grupo dos 45-54 anos. Enquanto a proporção dos indivíduos com o ensino superior aumenta no grupo mais jovem, cerca de 10 pp, em relação ao grupo mais velho (45% contra 35%).

No que diz respeito aos rendimentos, os adultos com qualificação profissional no ensino médio têm rendimentos semelhantes aos que têm qualificação geral no mesmo grau de ensino mas ganham, em média nos países da OCDE, menos 34% do que os adultos com ensino superior.

Durante o confinamento, a dependência de atividades vitais como a indústria e saúde, que precisam da formação profissional, evidenciou a necessidade de implementar medidas para aumentar a sua atratividade. Uma das características mais estimulantes da EFP é a formação em contexto de trabalho, por contraste com a aprendizagem em meio exclusivamente escolar, pois dá aos formandos uma perceção real do mundo do trabalho.  No entanto, ofertas com estas características correspondem, em média, a apenas um terço das matrículas do ensino médio profissional, nos países da OCDE. Permitir o acesso ao ensino superior, é também uma medida muito importante, sintomática de que os programas de EFP não são um beco sem saída educacional podendo, antes pelo contrário, abrir a porta para mais aprendizagem e autodesenvolvimento.

Embora a taxa de conclusão dos alunos num programa de ensino médio profissionalizante seja menor do que no geral, estes têm mais probabilidade de concluir a sua qualificação quando a modalidade oferece condições para a prossecução dos estudos. A maioria dos países já estabeleceu essa ponte, incluindo Portugal, no entanto, embora essas vias existam, a progressão fica aquém do desejável. Os programas de ensino superior de curta duração são, apesar de tudo, mais atraentes para os alunos da via profissionalizante do que os cursos de longa duração.

Com o crescimento da imprevisibilidade do mercado de trabalho e os rápidos avanços tecnológicos, que abrem caminho para a digitalização e automação, é importante que a EFP se adapte e ofereça aos alunos as competências adequadas às transformações. Os países com sistemas de ensino profissional mais desenvolvidos conseguem uma melhor e mais eficaz integração dos alunos no mercado de trabalho, com taxas de empregabilidade mais altas.

A pandemia expôs a nossa vulnerabilidade às crises e revelou como as economias que construímos podem ser precárias e interdependentes. Os sistemas de educação têm que estar no centro do desenho das sociedades do futuro. É preciso repensar como deve a economia evoluir para se proteger contra adversidades e a educação e formação profissional estão na linha da frente no apoio à reconstrução da economia.

Education at a Glance - OECD

Fonte: OCDE


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