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​Aos 60 anos Joaquim Meira está a finalizar o 12º ano de escolaridade com o apoio do PO CH no Centro Qualifica do Cearte. Antes construiu um dos seus sonhos entre linhas e dedais, entre portas que não se abriram e outras que o mostraram ao Mundo.

15-11-2018

​Nascido em Vale de Santarém, Ribatejo, Joaquim Meira descobriu a sua vocação ao olhar para uma boneca sem roupa. Naquele momento, com oito anos, "a brincadeira" foi criar e conceber duas peças "que deixassem a boneca mais confortável", diz a sorrir. Assim fez, duas, depois três, quatro, cinco e quando aos 11 anos concluiu o 1.º ciclo iniciou a sua atividade profissional com uma única certeza: ser alfaiate costureiro. Dois anos depois viajou da sua pequena aldeia para Santarém com um emprego garantido como ajudante do alfaiate "mais conceituado" da cidade. A técnica foi-lhe ensinada durante anos, a arte há muito que estava cravada nos dedos das suas mãos: "E no coração", afirma orgulhoso.


 


O seu sonho cresceu na mesma proporção da idade e aos 19 anos rumou a Lisboa. O Parque Mayer, a revista, atrizes e atores, a roupa e os adereços, essa era agora a sua vontade. Bateu à porta, mas a porta não se abriu. Virou costas, mas não à arte, essa podia ser construída em qualquer outro lugar. Coimbra acolheu-o, foi pai, casou, abriu o seu atelier, desenhou e concebeu muita roupa de homem, tornou-se num Alfaiate de gabarito. Voltou a desenhar, coseu, rematou, sangrou dos dedos, produziu muita roupa de mulher, tornou-se Costureiro e o seu sonho ganhava forma: hoje, 52 anos depois das duas primeiras peças de roupa para a boneca é Costureiro Alfaiate.

"Trabalho com uma paixão tão grande, sou um felizardo por fazer o que sempre quis e é um orgulho vestir quem procura o meu trabalho. Em Portugal, no Brasil, Inglaterra, Alemanha, muitos são os países onde alguém passeia os meus fatos, camisas, vestidos", afirma. E se aos 19 anos a porta do teatro não se abriu, hoje são muitos os atores que vestem os tecidos por si moldados: "acreditei sempre em mim, na força da natureza e é essa força que me faz querer sempre mais", explica.

“Fazermos parte da União Europeia e termos estes apoios disponíveis é algo que não 

tem preço para o nosso País. Sem estas formações apoiadas, neste caso pelo PO CH, 

muitos dos que comigo estavam no Centro Qualifica do Cearte não teriam conseguido.”                                             

Foi essa força, a paixão grande que diz sentir, que levou Meira, como é conhecido entre família, amigos e clientes, inscrever-se no Centro Qualifica do Cearte - Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património, financiado pelo Programa Operacional Capital Humano (POCH) com o apoio do Fundo Social Europeu (FSE) no âmbito do Portugal 2020, onde concluiu, em 2016, o Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) de nível Básico e também o RVCC profissional de costura (nível 2), com um excelente desempenho: "Fazermos parte da União Europeia e termos estes apoios disponíveis é algo que não tem preço para o nosso país. Sem estas formações apoiadas neste caso pelo PO CH muitos dos que comigo estavam no Centro Qualifica do Cearte não teriam conseguido", explica.

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Reconhecido e com a perceção que mais e melhores qualificações são a forma de elevar a qualidade do seu trabalho, está prestes a concluir o processo de dupla certificação, na vertente escolar e na vertente profissional de Alfaiate, para obtenção do nível secundário – Nível 4, também com o apoio do PO CH: "É um renascer aos 60 anos", afirma emocionado.

"O meu trabalho final do curso é um projeto centrado em explicar a profissão para que se entenda que nem tudo tem de ser feito numa fábrica. Um Costureiro Alfaiate faz à medida, personaliza, olha a pessoa, entende-a e desenha-a".

A par da formação que desenvolve para concluir o 12º ano, Joaquim Meira foi convidado pelo Cearte para ele próprio ser formador de Costura – Casacos, um trabalho que "é a melhor forma de passar aos mais jovens todos os conhecimentos sobre uma arte que não pode morrer", afirma, não escondendo a tristeza por "serem tão poucos os jovens que querem aprender a arte". E se a porta da sala de aula não se abre tantas vezes como desejaria, Joaquim Meira vira de novo as costas, não aos alunos, mas ao estigma que os afasta de querer aprender a profissão de Alfaiate: "eu para concluir o 12º ano vou apresentar um trabalho centrado em explicar a profissão, para que se entenda que nem tudo tem de ser feito numa fábrica. Um Alfaiate Costureiro faz à medida, personaliza, olha a pessoa, entende-a e desenha-a. E no fim a peça é única, não haverá nunca outra igual, porque não há mãos nem corações idênticos".

“Histórias de Sucesso” é um produto de comunicação do PO CH já presente no Boletim Informativo do Programa e que pretende durante os próximos meses dar a conhecer em formato texto, vídeo e fotos, a história de pessoas que com o apoio do Fundo Social Europeu, no âmbito do PO CH, elevaram as suas qualificações.

Fotos: Tiago Pinto

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