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​O Cedefop - Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional tem vindo a analisar o impacto que a pandemia de coronavírus tem tido no recrutamento e no emprego na União Europeia (UE), de forma a fornecer ferramentas para que a Educação e Formação Profissional (EFP) se adeque rapidamente às mudanças em curso.

06-01-2021

​Durante a primeira vaga da pandemia, muitos empregadores pararam ou desaceleraram a publicação de anúncios em portais de emprego. Embora a situação tenha melhorado um pouco durante o verão, nos últimos meses o mercado de trabalho em toda a UE foi novamente afetado pelas medidas dos governos para conter a segunda vaga do vírus.

As competências que permitem aos empregadores superarem os desafios associados ao distanciamento social estão a tornar-se cada vez mais importantes. Através da utilização da plataforma OVATE, a ferramenta europeia de análise da procura de competências com base nas ofertas de emprego online, o Cedefop comparou os anúncios de emprego de 2020 com os de 2019 (janeiro-setembro), aplicando uma abordagem que analisa as mudanças nos requisitos de competências, para fornecer uma visão sobre as tendências gerais de alterações no trabalho, na UE. Essas tendências também são impulsionadas por razões estruturais de longo prazo com impacto no mercado de trabalho, como as transições verde e digital em curso. É por isso essencial que a EFP adapte a sua oferta não só de acordo com a procura proveniente das transições, mas também tendo em conta as necessidades do mercado de trabalho que advêm da crise do coronavírus.

Nos anúncios online, em 2019, foi solicitada uma média de 11,9 competências por anúncio de emprego e, em 2020, a média subiu para 12,8. O aumento reflete mudanças no recrutamento. Aumentou o número de anúncios para empregos mais qualificados, sobretudo para serviços, comércio e indústria.  As ocupações mais qualificadas, mais fáceis de executar remotamente e menos afetadas por bloqueios e medidas de distanciamento social requerem, em média, uma variedade maior de competências. 

Em 2020, apesar da diminuição geral na procura por competências em consequência do menor número de anúncios de emprego online publicados, algumas competências cresceram em importância, com ênfase nas TIC (tecnologias da informação e comunicação).  As competências na área digital cresceram em importância de 20% de procura em 2019 para 23% em 2020, sendo o grupo de competências em que se verificou o crescimento mais acentuado. A digitalização e a mudança massiva para o teletrabalho estão a impulsionar esse crescimento, devido à importância das TIC na preparação dos postos de trabalho e implementação de sistemas para trabalho remoto (por exemplo, sistemas de TIC corporativos e respetiva administração). A necessidade destas competências é cada vez mais transversal ao mercado de trabalho, inclusive em empregos onde antes da pandemia não seriam requisitadas. A ênfase nas habilitações de TIC também reflete o uso crescente destas para design, pesquisa e solução de problemas.

As habilitações em vendas e marketing também estão a crescer em importância, na medida em que as empresas afetadas pela pandemia, sobretudo no setor da venda a retalho de produtos e serviços, recrutam funcionários para o desenvolvimento ou expansão das suas lojas online ou para desenhar estratégias de vendas digitais. Os empregadores foram desafiados a "reinventar" a abordagem aos seus clientes. As competências de gestão de Recursos Humanos também viram a procura aumentar para fazer face aos desafios da organização do trabalho em equipa e do recrutamento durante a pandemia.

A crescente importância das competências de engenharia, arquitetura e construção em anúncios de emprego online aponta para o aumento da necessidade destas competências para fortalecer um setor que se revelou quase à prova do coronavírus.

Num contexto de desafios sem precedentes, mais anúncios de emprego online enfatizam as competências em gestão de logística e cadeias de valor para garantir uma operação comercial tranquila. Tendências em competências essenciais na indústria - um setor que lidou com os bloqueios melhor do que muitos outros e liderou a recuperação de verão de curta duração - sugerem que os empregadores estão a dar mais importância às competências para melhorar o planeamento e implementação dos seus processos de produção.

Em 2021, o Cedefop continuará a usar o seu sistema OVATE, que está também a ser melhorado e atualizado, para análise das necessidades de competências no mercado de trabalho da UE, imprescindível ao ajustamento da oferta formativa de EFP à procura dos empregadores.


Fonte: Cedefop

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