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​A Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicou um relatório com as conclusões de uma pesquisa sobre educação e formação técnica e profissional (EFP) em 126 países, elaborada em colaboração com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e o Banco Mundial. O Relatório destaca os desafios criados  pela pandemia da COVID-19, bem como as inovações no ensino e na aprendizagem. 

01-03-2021

A pandemia e as medidas de bloqueio e distanciamento físico associadas, causaram uma interrupção sem precedentes na oferta de educação e formação técnica e profissional, mas também serviram como catalisador para os processos de inovação em educação e formação a distância.

De acordo com a pesquisa global efectuada, mais de 1.350 promotores de EFP, em muitos dos países envolvidos, estavam insuficientemente preparados para responder às restrições resultantes da crise.

A maioria dos entrevistados relatou interrupções na formação, em particular em contexto de trabalho, devido ao encerramento de empresas e ao cancelamento de processos de avaliação e certificação. No entanto, segundo o relatório, desde o início da crise, começaram a surgir inovações na educação e formação técnica e profissional, mesmo enfrentando os  desafios criados pela natureza prática dos programas.

Apesar do acesso à aprendizagem e ao desenvolvimento de competências ter sido mantido, em alguns contextos, através de uma rápida mudança para o ensino à distância, as diferenças sociais e digitais pré-existentes privaram os grupos mais desfavorecidos de aprender e colocou-os em risco de serem deixados para trás. Com apenas algumas exceções, o aumento da adoção de soluções de ensino à distância por programas de EFP não facilitou a aquisição de competências práticas e em contexto de trabalho, essenciais para o sucesso deste tipo de formação. Os encerramentos de empresas e perdas nos lucros tiveram impactos sobre o emprego e as perspectivas de trabalho, originando cortes na oferta de estágios em empresas.

No início da pandemia, poucos países e provedores de formação tinham equipamento, conectividade, software e plataformas de aprendizagem remota e recursos pedagógicos suficientes. Além disso, a maioria dos alunos e formadores não tinha as competências digitais para se adaptar à mudança.

A transição para o ensino remoto é um processo que tem evoluído no tempo. Os exemplos destacados no relatório mostraram o desenvolvimento de muitas opções de aprendizagem e avaliação flexíveis, que variam desde soluções muito tecnológicas a pouco  tecnológicas ou mesmo sem tecnologia, ditadas pelos contextos locais e evoluindo com o desenrolar da crise. Partes interessadas, públicas e privadas, na EFP prontamente firmaram parcerias para aumentar a disponibilidade de soluções acessíveis de ensino à distância, desenvolver novos programas de formação e alocar recursos adicionais para mitigar a escassez de competências e de mão de obra em setores fortemente afetados pela crise. Incluem o uso de plataformas offline como canais de televisão nacionais, para disseminar o conhecimento prático em vários países, e o desenvolvimento de guias de aprendizagem individualizados e avaliações virtuais de competências. Em alguns países, os alunos fizeram vídeos e fotos de tarefas práticas realizadas em casa, que partilharam através de plataformas virtuais. Também surgiram novas parcerias público-privadas, para o fornecimento de equipamento digital a professores e alunos desfavorecidos.

O relatório destaca que, embora mais de dois terços dos promotores de EFP tenham relatado que ministraram formação inteiramente por métodos remotos durante a pandemia, foram muito poucos os que, em países pobres, conseguiram fazer essa transição. Os problemas de acesso à formação online relacionados com equipamentos e infraestrutura podem deixar os alunos mais desfavorecidos em desvantagem, a menos que medidas adequadas sejam tomadas para superar a exclusão digital, alerta o relatório.

As competências são cruciais para resolver alguns dos problemas causados ​​ou acelerados pela pandemia. O desenvolvimento de novas competências é a chave para a adaptação a um mercado de trabalho e modelos de negócios em mudança, para garantir a igualdade de oportunidades e promover a coesão social. A longo prazo, o desenvolvimento de competências também é essencial para enfrentar outros desafios impostos pelos motores globais de mudança, como mudanças climáticas, globalização e mudanças demográficas. 

Alguns países já adotaram novas medidas políticas para garantir que os sistemas de EFP estarão mais bem preparados para desafios futuros. Noutros, provedores de EFP, formuladores de políticas e outras partes interessadas, estão agora a discutir a importância de implementar medidas para melhorar a resiliência dos sistemas de formação técnica e profissional, para que possam continuar a oferecer formação durante crises futuras.

A OIT acredita que as conclusões apresentadas nesta publicação facilitarão o reconhecimento dos desafios e das oportunidades de construir sistemas de EFP à prova de crises, garantir uma melhor preparação e uma recuperação rápida e para alcançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Aceda aqui ao relatório 
“Skills development in the time of COVID-19: Taking stock of the initial responses in technical and vocational education and training


Fonte: Organização Internacional do Trabalho

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