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O Índice Europeu de Competências (ESI) do Cedefop - Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional - ajuda a prever o sucesso dos países da UE no desenvolvimento de competências para uma transição mais rápida para a economia verde. Perceba como.​

09-04-2021

Em dezembro de 2019, a Comissão Europeia anunciou o seu plano para um novo acordo verde europeu (EGD - European Green Deal), com o objetivo de tornar a Europa o primeiro continente neutro do ponto de vista climático até 2050. O EGD envolve ações que ajudarão a impulsionar o uso eficiente de recursos, desacelerando as mudanças climáticas e contribuindo para a preservação da biodiversidade.

 Para concretizar aquele objetivo será necessário um investimento significativo na criação e adoção de tecnologia verde e criação de  novos empregos que precisarão de um alto nível de competências. As ocupações existentes também exigirão a aquisição de competências novas e a requalificação dos trabalhadores, no caminho para a adoção de tecnologias verdes. Por este motivo, a Comissão Europeia lançou recentemente o seu Pacto pelas Competências, um compromisso ambicioso para apoiar a adoção de competências de próxima geração, essenciais para a transição verde da União Europeia.

 O EGD representa inevitavelmente um enorme desafio para os sistemas de competências dos Estados-Membros da UE. Estes países terão que  habilitar a população com competências que lhe permita responder às necessidades de transição para uma economia neutra em carbono. Levanta-se, assim, a questão de saber se os países com melhores mecanismos de desenvolvimento de Competências, serão melhores candidatos a uma transformação verde mais rápida e completa.

 O desenvolvimento de competências sólidas garante jovens e adultos adequadamente preparados e preocupados com o meio ambiente. Também estimula a inovação e atrai investimentos que podem levar a avanços tecnológicos verdes de última geração. Trabalhadores altamente qualificados serão essenciais para a adoção de tecnologia verde de forma mais rápida e eficiente, desde que os setores público e privado de cada país contribuam, tomando iniciativas adequadas para reduzir a sua pegada de carbono.

 Para monitorizar o desempenho relativo dos sistemas de competências da Europa e promover a sua melhoria contínua, o Cedefop desenvolveu o Índice Europeu de Competências, que examina três áreas distintas do sistema de competências de um país: desenvolvimento de competências, ativação de competências e correspondência de competências. A última atualização do ESI para 2020 cobre a UE-27, a Islândia, a Noruega, a Suíça e o Reino Unido.

 Na análise do Cedefop, para perceber se o desenvolvimento sólido de competências está ligado ao avanço da tecnologia verde, foi construída a figura abaixo que mostra a ligação entre o desenvolvimento de competências e um indicador de crescimento verde da OCDE, que mede o avanço da tecnologia de um país relacionada com o ambiente, em termos de patentes per capita. De acordo com a figura, Portugal integra o conjunto de países cujo desenvolvimento de competências é ainda baixo e em simultâneo um baixo nível de tecnologias relacionadas com o ambiente.  

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Pilar de desenvolvimento de competências do Índice Europeu de Competências do Cedefop e desenvolvimento de tecnologia relacionada com o ambiente

Uma relação positiva surge entre os dois dados: países com melhor desempenho em termos de desenvolvimento de competências como a Dinamarca e a Suécia, estão também a liderar o desenvolvimento de tecnologia verde. O oposto também é verdade para países com baixo desempenho. À medida que o desenvolvimento de competências melhora, a tecnologia verde difunde-se nos países. Esta descoberta confirma que um forte sistema de desenvolvimento de competências é um requisito necessário para o desenvolvimento de tecnologias verdes.

O Cedefop também quis perceber se o desenvolvimento de competências sólidas  e, consequentemente, o avanço das tecnologias verdes, dá frutos em termos de resultados concretos. Para isso, associou o desenvolvimento de competências à adoção de tecnologias verdes, com fontes de energia renováveis sem carbono. Abaixo vemos comparado o desenvolvimento de competências com a percentagem de energias renováveis no consumo final bruto de energia (dados do Eurostat de 2018). 

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Pilar de desenvolvimento de competências do Índice Europeu de Competências do Cedefop e quota de energias renováveis no consumo final bruto de energia.


Um resultado positivo resulta do desenvolvimento de competências sólidas de um país e de uma maior implementação de políticas de redução de carbono, já que esta última é conseguida por meio de um maior uso de fontes renováveis no consumo de energia. Portugal encontra-se melhor posicionado perante este indicador, integrando o conjunto de países que apresenta uma quota elevada de energias renováveis, precisando ainda assim de desenvolver competências na área da tecnologia verde.

 O desempenho dos países torna-se mais disperso à medida que os sistemas de competências melhoram. Alguns países com bom desempenho no desenvolvimento de competências, como a Suécia, a Noruega e a Islândia, parecem envolver-se mais afincadamente no uso de energia renovável em maior escala. Outros, como a Estônia, a Eslovênia, a Chéquia e o Luxemburgo usam formas de energia renováveis na mesma medida que os países de desempenho inferior, no que se refere aos sistemas de competências.

Essas descobertas levam a crer que o desenvolvimento de competências adequadas num país oferece um ambiente facilitador para a criação e implementação de tecnologias verdes. Outros fatores que afetam o uso generalizado de tecnologia verde estão relacionados com os altos custos e investimentos iniciais necessários para adotar avanços tecnológicos verdes na produção de energia e o seu uso em edifícios, transporte e outros setores da indústria.

O acordo verde europeu oferece aos países uma oportunidade única para superar as restrições relacionadas com os custos e traçar o caminho da redução da pegada de carbono. O retorno dos investimentos verdes pode ser acelerado por meio do desenvolvimento de competências. Os dois fatores não devem ser examinados isoladamente, antes devem andar de mãos dadas para a implementação bem-sucedida do Acordo Verde Europeu.

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