Iniciar sessão
/pt-pt/PublishingImages/Paginas/PremioCapitalHumano2020/Skills%20Intelligence%20PT.jpeg

​“Skills intelligence" é mais importante do que nunca para percebermos para onde caminhamos e que direções devem adotar os decisores de políticas de competências. O Cedefop acompanhou as tendências da procura dos empregadores em 2020 como base de trabalho sobre a matéria.

19-04-2021

A pandemia de Covid-19 está a mudar as necessidades de competências e a reformular empregos, ao mesmo tempo que desafia a nossa compreensão e análise dos mesmos.

As medidas de distanciamento social e os confinamentos em grande escala causaram uma desaceleração económica severa. Em pouco mais de um ano, a ameaça perturbou quase todas as áreas da sociedade e da economia. Aprender e trabalhar não foram exceção.

Os Estados-Membros da UE tomaram medidas para aliviar os efeitos imediatos da crise, incluindo Portugal, protegendo empregos, empresas e meios de subsistência. Muitos vêem estas mudanças estruturais na aprendizagem e no trabalho, como oportunidades de inovação, impulsionadoras da criação de empregos futuros e facilitadoras das transições digital e verde.

Neste processo, o Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional (CEDEFOP) considera muito importante o conhecimento sistematizado das necessidades de competências do mercado de trabalho, "skills intelligence". Para fornecer uma visão sobre quanto e até que ponto a pandemia afetou as práticas de contratação, o CEDEFOP recorreu à sua ferramenta de análise das ofertas de trabalho online "Competências para a Europa'', com o fim de acompanhar a evolução do mercado de trabalho em 2020.

Em abril de 2020, o número de ofertas de trabalho online publicadas por empregadores na UE era quase 60% inferior ao de abril de 2019. Em alguns países, a queda foi superior a 70%. O mercado de trabalho deu os primeiros sinais de recuperação em maio e nos meses após o verão, uma vez que o número de anúncios de emprego online foi um pouco maior do que no mesmo período de 2019. As tendências, na segunda metade do ano, são consistentes com a flexibilização das medidas de distanciamento social iniciadas no verão. Comparando todo o período de 2020 com 2019, o declínio das ofertas de trabalho online ascendeu a 10%.

Com a recuperação no setor industrial, a maioria dos anúncios de emprego online em 2020 dizia respeito a empregos de produção e construção, como operadores de fábricas e máquinas, refletindo oportunidades de emprego em ocupações com requisitos de qualificação baixos e médios. Ao mesmo tempo, mais de um em cada cinco anúncios de emprego online revelam a necessidade de competências em ciência e tecnologia, principalmente para especialistas em TIC, engenheiros e investigadores. No entanto, em 2020, a sua quota era 10% inferior à do ano anterior: o aumento da digitalização não se traduziu no imediato em mais ofertas de emprego online para profissionais de TIC, uma vez que também se verifica que no último trimestre de 2020 os anúncios de emprego online em ciência e tecnologia retomaram o seu crescimento normal. Esses trabalhos, sendo adequados para serem realizados remotamente, levaram a uma redução da rotatividade e da mobilidade de empregos. O mesmo se aplica às ocupações de negócios e administração, como vendas, marketing e finanças, que registraram a maior queda anual no número de anúncios de emprego.

O setor de serviços empresariais, tradicionalmente mais importante do que a indústria no que diz respeito aos anúncios de emprego online, ainda não deu sinais de recuperação. A hotelaria e os serviços pessoais foram fortemente afetados em 2020. Aqueles que conseguiram enfrentar os desafios e abraçar novas oportunidades, aumentaram o recurso às tecnologias digitais para apoiar as suas operações. Isso impulsionou a digitalização num setor que, no passado, não dependia particularmente dela.

O número de anúncios de emprego nas áreas de ensino, atividades sociais e cultura manteve-se bastante estável ao longo de 2020 e aumentou ligeiramente nos últimos meses do ano. Forçados a adaptarem-se rapidamente ao novo padrão, a educação e formação têm revelado bastante resistência aos desafios lançados pela pandemia. Sem surpresa, a procura  por profissionais de saúde disparou em 2020.

O distanciamento social forçou milhões a trabalhar, aprender, comunicar e fazer compras online. A Covid-19 veio revelar a magnitude da lacuna digital, com quatro em cada dez europeus sem competências digitais básicas, tendo Portugal neste âmbito uma situação inferior à média da União Europeia. As tendências do mercado de trabalho online e as novas formas de organizar o trabalho, a educação e a formação sugerem que a a
prendizagem e o trabalho digitais deverão tornar-se ainda mais importantes no futuro. As competências digitais avançadas e básicas dominaram a procura de competências em anúncios de trabalho online em 2020 e irão aumentar ainda mais à medida que o trabalho remoto e a colaboração transformam milhões de locais de trabalho, tornando as competências digitais cada vez mais importantes.

A pandemia aumentou a procura por competências digitais em todos os níveis. As competências digitais ajudaram as empresas a adaptarem-se e a modernizar os seus modelos de negócios. Durante os períodos de confinamento, possibilitaram a continuidade dos negócios e serviços em muitos setores, incluindo serviços públicos, ensino online e a prestação remota de serviços públicos. Mas as competências digitais vão muito além disso: equipam as pessoas com competências técnicas e transversais, permitindo-lhes encontrar e manter empregos e participar ativamente na sociedade.

O reforço das competências digitais é uma grande prioridade em toda a UE. Embora estejam incluídas em quase todos os tipos de formações na educação e formação profissional (EFP) Inicial, muito trabalho tem ainda de ser feito na EFP contínua, especialmente porque a falta de competências digitais é particularmente dramática entre os adultos, como é aliás bem visível em Portugal. Para ajudar a colmatar a lacuna, a Comissão Europeia ajuda os Estados-Membros a intensificar a educação e a formação digital com o seu plano de ação para a educação digital 2021-27, que visa adequar os sistemas de educação e formação à era digital. O conhecimento das necessidades de competências (Skills Intelligence) precisa de lhe seguir o exemplo. O requisito futuro é que esta ferramenta seja prática, para que se torne mais do que uma bússola para a EFP e para os decisores de políticas de competências. As informações recolhidas do mercado de trabalho em tempo real ajudam a perceber o que é o conhecimento de competências (Skills Intelligence) de próxima geração. Um trabalho em curso que o CEDEFOP pretende desenvolver e promover nos próximos anos.



Aceda aqui ao documento do CEDEFOP

  • < voltar a notícias